Crescer é complicado. Não me refiro à parte física, e sim, às obrigações. Faculdade, estágio, emprego, pagar conta, cartão de crédito. Cobranças de todos os lados. A mente cansada e a criatividade quase esgotada.
Nunca quis me tornar adulta como as outras crianças. Meu objetivo inalcançável era morar na Terra do Nunca, ser uma menina perdida e tentar conversar com as sereias, se elas estivessem amigáveis no dia. Sem TCC, nem ter que acordar cedo no frio para ir trabalhar.
Já que ainda não descobriram um jeito de inventar uma máquina do tempo que nos leve de volta à infância, vou tentando preservar meu lado infantil para sobreviver à natureza impiedosa da selva de pedra.
Colori a minha foto no Facebook e no Twitter porque achei bonito comemorar a aprovação do casamento LGBT dessa forma. É simples e deveria enfatizar simpatia à causa LGBT e o respeito ao próximo. Entendo os motivos lógicos e ideológicos de muita gente não colorir. Afinal, ninguém é obrigado a nada.
A vida é um Big Brother, seja o do George Orwell ou do programa global que foi inspirado em 1984. Estamos sendo observados o tempo todo. Andando na rua, perto da janela de casa… sempre alguém nos espreita. Já se pegou observando atentamente alguma cena cômica ou trágica? Ou simplesmente uma pessoa que lhe chamou a atenção por quaisquer motivos? Então. Quantas vezes já fizermos esses papéis aos outros? Será que estamos na memória de alguém como um desconhecido louco, dramático ou desastrado?
E as inúmeras câmeras por aí? Celulares, máquinas fotográficas, câmeras de vigilância, satélites… Com certeza, já saímos em alguma foto sem querer, fazendo caretas horríveis ou poses inusitadas, ainda mais com a moda dos selfies e a necessidade narcisista de tirar fotos toda hora para mostrar que tem vida social. Quantas dessas fotos realmente servem para gravar os momentos e não, para preenchê-los? Quantas são para flagrar o inusitado?
Tem muita foto para pouca vivência. Tem muita imagem para pouco conteúdo. Tem muita selfie para pouca gente que quer expor a cara à tapa.
“Lolita”, do Vladimir Nabokov, é um dos livros mais elegantes que li. Pode parecer controverso por tratar sobre a obsessão de um pedófilo por uma menina que começa a história com 12 anos. A escrita é refinada porque o personagem narrador, Humbert Humbert, é professor de literatura e possui vocabulário rico e repertório textual.
O grande erro que é cometido ao ler é a romantização do enredo. Pensar que o Humbert Humbert ama mesmo a Dolores e que ela seduziu o coitado do moço é desconsiderar a obra do escritor russo. O livro não mostra o que Lola pensa e sente de forma proposital, só narra algumas ações do ponto de vista doentio do H. H. É como em "Dom Casmurro”, nunca saberemos o que Capitu pensa porque a mente doida do Bentinho ocupa todas as páginas com lamúrias, devaneios e suposições.
Nabokov quis apresentar o quão deturpado é o pensamento de uma pessoa desse jeito. A interpretação dos segredos que Dolores conta para o padrasto o leva a crer que ela o deseja da mesma forma que ele. Porém, em trechos do livro, principalmente na segunda parte, alguns momentos de insatisfação mostram o quanto a menina se sente sufocada e desesperada. Não é à toa que há a fuga dela com um garoto de mesma idade.
Ninfeta e lolita viraram sinônimos da inocência misturada com malícia. Creio que deveriam ser aplicados na perda de inocência prematura provocada por alguns franceses literatos.
A França é conhecida como a terra da liberdade e foi fortemente marcada pela filosofia iluminista. ”Liberté, égalité, fraternité”. Atacar uma revista francesa é mandar um recado para outros países que possuem imprensas ideologicamente influentes. O Brasil possui mais influência norte-americana na…
Vejo sempre leitores e escritores reclamando que livros bons não são lidos porque os ruins viram best-sellers e, posteriormente, adaptações cinematográficas. É comum também a generalização de que todo livro que faz sucesso é ruim, já que conteúdo bom não deveria ser amplamente vendido, e sim, apreciado por poucos “qualificados” para tal. Essa visão é elitista e recalcada. Se fala tanto da importância de ler, de cultivar esse hábito maravilhoso e, mesmo assim, sempre aparece algum chato expondo esse pensamento retrógrado.
Claro que nem todos os best-selles são obras-primas, alguns têm a escrita repetitiva e pobre. Faz parte um gênero estar na moda e gerar muitos textos, a história da literatura nos mostra isso. A época abrange produções literárias que têm características em comum. Com a facilidade de escrever livros, fanfics e e-books, há uma saturação de livros do mesmo tema, escritos semelhantemente, usando os mesmos clichês. E isso é ruim? Não! É maravilhoso ver que a produção literária cresce. E aquele que atualmente escreve clichês, pode passar a produzir ideias quase que completamente novas depois. As pessoas estão treinando mais a escrita, agora não há limitação física e financeira como no século XIX. Mandar o livro para editora e aguardar a resposta positiva continua sendo complicado, mas há outros meios. Na Amazon, pode-se mandar o livro para ser publicado conforme a quantidade de venda. Então, se o exemplar vender 30 cópias, esse número exato será impresso, sem desperdício de papel e custos exuberantes. E pequenas editoras sempre estão surgindo, aproveitando essa efervescência linguística para garimpar talentos.
Para existir o bom, o ruim é necessário. Para existir a obra-prima, primeiro vem vários erros. Escrever é treino, só isso. Tentar modificar o modo de escrita, ver o que funcionar, frases remodeladas constantemente. Todos podem escrever. É só ter paciência e saber que fará muita coisa ruim. Mas, lembre-se: depois da tempestade de ideias, vem a bonança textual.
“Não tenho medo do escuro, mas deixe as luzes acesas…” como Renato Russo cantaria. Sempre gostei da noite, do clima misterioso e calmo que a madrugada proporciona para os notívagos. Também amo o dia e o sol, como boa caiçara que sou.
O encantamento literário pela noite não é novidade. Os poetas românticos no século XIX reverenciavam a Lua e Lord Byron fazia muitas loucuras envolvendo bebidas, drogas e muita gente quando o sol se punha… Os mitos também são fascinantes. Na mitologia grega, Nix é a misteriosa personificação da escuridão e moradora do Tártaro. Hoje, as pessoas aproveitam o final de semana neste horário para sair e fazer tudo que não fazem no decorrer da semana: beber muito e outras coisas que vocês sabem muito bem.
O escuro é assustador é libertador. Assustador porque não é possível ver os outros. E libertador porque os outros não veem você. A noite, de certa forma, promove essa antítese. O que fazemos neste período não combina como agimos de dia porque a postura é diferente e a forma como encaramos nossos atos também.
Eu liberto meus demônios textuais à noite, leio bastante e divago sobre a vida antes de dormir, “lembro e esqueço como foi o dia”. E vocês?
Como seriam os personagens de “As crônicas de gelo e fogo” em campanha eleitoral? Veremos agora.
Cersei Lannister: “Criarei o direito de irmãos poderem se casarem e também de escolher nossos parentes, ninguém merece ter um irmão anão e monstrinho. Criarei o Bolsa-Vinho e cuidarei dos Sete Reinos como uma leoa.”
Tyrion Lannister: “Minha querida irmã está um pouco exaltada. Eu sou a melhor opção para defender a cidade e lutarei pelos direitos dos anões e dos bastardos, já que os pais costumam rejeitar ambos. Também quero informa-los que sou melhor estrategista do que a singela Cersei e cada morador de Westeros terá dinheiro a mais para gastar com momentos de lazer regados a vinho.”
Lorde Varys: “Ah, se vocês soubessem o que meus passarinhos me contaram sobre esses leões… Se votarem em mim, saberão tudo que ocorre ao nosso redor e farei o que for possível para manter a ordem do reino. E outra proposta minha é a criminalização do preconceito contra os eunucos.”
Ned Stark: “Se eu não perder minha cabeça, aviarei a todos quando o inverno chegar e governarei com honra e lealdade.”
Mindinho: “Sempre arranjarei dinheiro quando preciso, além de me manter tão informado quanto o Lorde Varys. Só quem veio debaixo pode atender melhor as súplicas do povo.”
Balon Greyjoy: “O mar é a nossa prioridade, cuidamos do porto e todos os homens terão esposas de sal.”
Renly Baratheon: “Vote em quem você ama e quem ama o próximo… meu vice será Sor Loras Tyrell, o Cavaleiro das Flores.”
Daenerys Targaryen: ‘Só quem renasceu do fogo sabe o que é passar momentos escaldantes. Defenderei Westeros com meus dragões, principalmente Viserion, com sangue dos nossos inimigos e fogo.“
Jon Snow: ’'Eu não sei sobre muita coisa, mas consegui ajudar a Patrulha da Noite. Vice: Ygritte.”
Acabou de acontecer a sexta edição da Tarrafa Literária, evento de Santos que foca em literatura, como o nome diz. O nome é tipicamente caiçara, já que ”tarrafa” é uma rede utilizada pelos pescadores.
Como na edição passada, os literatos, em sua maioria, eram jornalistas e vice-versa, o que me…
Há uma questão que nos assombra e sempre nos perturbará: afinal, Capitu traiu ou não Bentinho? Para responder a essa dúvida atemporal, chamamos os candidatos à presidência da República.
Dilma Rousseff: ”Meus parceiros, trabalhador, dona de casa, você que tanto confiou no meu governo. A questão…
Dizem que a literatura é o melhor escapismo da realidade, que podemos viajar lendo, ir pra Nárnia ou para Westeros, concordo, claro. Também acho que a vida tem um quê de ficção que faz com que continuemos a nos surpreender, embora às vezes, parece que vivemos numa realidade distópica digna de George Orwell ou Ray Bradbury que nos sentimos desestimulados, derrotados e partimos para o nosso refúgio impresso, tranquilo, com cheiro de tinta e papel novo ou de mofo. E o lirismo é tão bonito! As frases cuidadosamente planejadas, intrincadas, rimadas, de efeito, simples, com metáforas, analogias… e desejamos diálogos daquelas maneiras, mesmo que nos esqueçamos de refletir o que falamos e o que nos disseram…
Tudo é mais fácil em um livro. Tem começo, meio e fim. Enredo, acontecimentos e clímax. Os que não conseguimos descobrir o que houve realmente nos agoniza. Capitu traiu ou não? Bentinho era louco? Imaginamos as respostas que queremos para esses enigmas de acordo com nossas vivências. Mas é claro que Capitu não traiu, Bentinho que era um ciumento maluco. Capitu traiu, obviamente, ela não era dona de si? E discutimos, relemos, tentamos encontrar mensagens ocultas… basicamente, repetimos o que sempre fazemos antes de dormir, relembrando o dia, os erros, acertos, mancadas, deduções sobre o futuro ou escrunchar o motivo de tal declaração ou ato até pegarmos no sono.
Nossa realidade é um livro sendo escrito, me perdoe a clichê comparação. Só que não somos os únicos autores como gostamos de pensar para tentar parecer que temos algum controle sobre com o que nos acontece, fazemos parte de uma antologia real, com poemas, contos e crônicas, sonetos… na verdade, a literatura nada mais é do que um complemento artístico, uma mimetização realizada de uma forma mais abstrata. Ah, e que bela imitação!
Estou escrevendo um texto. “Hum, tá ficando bom… será que coloco um pseudônimo? Ah, vou assinar com meu nome mesmo.” Última frase, ufa! Coloco um título para antagonizar com a ideia da crônica que escrevi, criar um contraste interessante. Aperto em “Publicar” e… NÃÃÃÃÃÃÃÃÃO, O NAVEGADOR TRAVOU! E EU NÃO SALVEI O TEXTO NO WORD! Não aprendo mesmo, não tem jeito. Isso já aconteceu comigo antes… saudades de quando o Tumblr salvava como rascunho quando a Internet dava problema. Agora tô brava, não pretendo escrever até voltar da faculdade, vou ouvir alguma música para esquecer a raiva. Não adianta, não consigo parar de pensar que deveria ter salvado o texto no Word. Fazer o quê, persisti no erro, deu nisso. E se eu escrever algo sobre o que aconteceu? É o jeito, não conseguirei reproduzir o anterior tão cedo. Tenho uma fascinação pela metalinguagem, mesmo que pareça às vezes um recurso linguístico “batido”. Melhor salvar este texto antes que ele siga o triste caminho do anterior. Pronto. “Publicar” e… FOI!
É comum que as pessoas se identifiquem a tal ponto com os personagens dos livros que pensem: “nossa, parece que o autor está escrevendo sobre mim”. Comigo, porém, não acontece isso. Claro que em alguns momentos, vejo algumas atitudes que imagino que teria naquela situação. Já me senti meio Arya Stark, Tyrion Lannister, Charlie, Capitu e Annabeth Chase conforme lia. Mas, eu simpatizo mesmo com os autores. Sei como é um porre ter que escrever em um prazo algo gigantesco e com muitos detalhes, George R. R. Martin. Stephen Chbosky, também já tive textos que sofreram reclamações de quem leu por causa do conteúdo. E (tio) Rick Riordan, também gosto de zoar um pouco com os leitores (só um pouquinho). Ah, Machado de Assis, cansei de ser chamada de grossa.
E não sou só eu que noto essa dessemelhança literária, é só olhar as conversas de Whatsapp com o Brendo. Sei que se estudasse em Hogwarts, iria para a Sonserina, mesmo com medo terrível de cobras, por causa das características necessárias que a Chapéu Seletor canta antes da seleção. Entretanto, difícil apontar um personagem dessa Casa que se pareça realmente comigo, não sou uma Malfoy, nem Black, muito menos Parkinson. Se, um dia, tiver a oportunidade de falar com a J. K. Rowling, acharia características em comum ou angústias parecidas ao escrever.
Poderia parar agora num mundo fantástico literário que ficaria perdida e não saberia como lidar com a situação e os outros personagens. Iria desejar muito estar do lado de fora, mexendo com a vida deles a meu bel-prazer, vendo o que os leitores diriam de uma travessura minha ou se notariam que um nome foi escolhido para representar algo, escolher alcunha dá trabalho e requer imaginação. Senão fosse eu bancando a escritora, não seria eu.
"Uma mente necessita de livros da mesma forma que uma espada necessita de uma pedra de amolar se quisermos que se mantenha afiada."( George R. R. Martin)
“Eu poderia ter o mesmo pai, a mesma mãe, ter frequentado o mesmo colégio e tido os mesmos professores, e seria uma pessoa completamente diferente do que sou se não tivesse lido o que eu li. Foram os livros que me deram consciência da amplitude dos sentimentos. Foram os livros que me justificaram como ser humano. Foram os livros que destruíram um a um meus preconceitos. Foram os livros que me deram vontade de viajar. Foram os livros que me tornaram mais tolerante com as diferenças.” Bingo! Eu concordo e continuo. Foram os livros que me fizeram enxergar o que eu não enxergava. Foram os livros que me fizeram companhia quando os meus melhores amigos foram embora. Foram os livros que me fizeram não perder a cabeça. Foram nada, são. São os meus aromatizantes prediletos. Os meus calmantes também. São os meus psicólogos de bolso. E bom, são os únicos que me entenderam na maior parte do tempo. São aqueles que impedem a não colocação. São aqueles que combatem o desamor. São os que desvencilham a ignorância. São, são, são. São meus, são nossos, são de todos vocês. Este blog é dedicado aos nossos empurrados oficiais. Aqueles que testemunharam os nossos deslizes, depressões e descontentamentos e ainda assim continuam na nossa estante. E mesmo assim, continuam na nossa alma.